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O ex-presidente Lula, que já foi
sindicalista e metalúrgico, e nestas
duas últimas categorias marcou
profundamente o movimento sindical
brasileiro nas memoráveis greves
contra o arrocho salarial, no ABC
paulista, foi infeliz ao criticar as
centrais sindicais, chamando-as de
oportunistas por defenderem um
salário mínimo de R$ 580,00. Depois
anunciou que vai procurar os
presidentes das centrais para ter
uma conversa para convencê-los,
pois, se diz “amigo” de todos eles.
A Nova Central, ao contrário do
ex-presidente Lula, participa e
apóia as mobilizações das centrais
sindicais pela valorização do
salário mínimo, correção da tabela
do imposto de renda e reajuste para
os aposentados, com a certeza de que
se tratam de medidas fundamentais
para minimizar a trágica realidade
da distribuição de renda no País.
Mesmo com os avanços obtidos nos
últimos oito anos, com geração de
empregos, crescimento econômico e
adoção de políticas sociais
compensatórias, o Brasil ainda
continua sendo um dos países mais
injustos do mundo.
A propaganda oficial do Governo,
sobre a elevação do poder aquisitivo
de muitas famílias e dos ganhos
reais do salário mínimo, não
consegue e nem pode esconder a
realidade de um País no qual milhões
de famílias ainda continuam
sobrevivendo no limite da miséria
absoluta. Inclusive a candidata
oficial, eleita presidenta da
República, fez do combate à miséria
social a sua principal bandeira
eleitoral.
Portanto, é dever e obrigação de
todas as entidades sindicais terem
como objetivo a luta contra a
desigualdade social, num país onde a
população mais abastada contribui
com apenas 30% da arrecadação de
impostos e 70% do que é arrecadado
vem da taxação da produção e
circulação de mercadorias, fazendo
com que a população mais pobre,
quando consome produtos e serviços,
pague mais imposto
proporcionalmente. Realidade
agravada pelo fato de apenas 5 mil
famílias, conforme demonstra o IPEA,
com patrimônio superior a R$ 1
trilhão, serem donas de 40% das
riquezas nacionais.
Por outro lado, estudo da Fundação
Getúlio Vargas apontou a expressiva
mudança no panorama da redução da
desigualdade social ocorrida no
País, desde 2003, graças, sobretudo,
ao aumento na renda do trabalho,
cuja participação foi de 67%,
ficando o Bolsa Família com 17% e os
gastos previdenciários com 15.7%.
Portanto, para alcançar a sua meta
de acabar com a miséria no Brasil,
resgatando dessa condição cerca de
40 milhões de brasileiros e
brasileiras, ou algo em torno de 20%
da população brasileira, o
instrumento principal terá que ser a
melhoria na renda de todos os
trabalhadores e, nesse quesito, a
recuperação do valor do salário
mínimo é o caminho mais correto e
adequado. Também contribuirá, de
forma acentuada, uma mudança
substancial na política tributária,
taxando as grandes fortunas e
aumentando o limite de correção da
tabela do imposto de renda, para
impedir que os ganhos obtidos com as
negociações salariais sejam
corroídos pelo Imposto de Renda na
Fonte.
A Nova Central, por princípio e
compromisso, independente de
partidos, governos e patrões, mantém
a sua disposição de luta e
mobilização em defesa da classe
trabalhadora. Considera que, em vez
de oportunismo, as centrais
sindicais defendem e querem justiça
social.
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Lula chama sindicatos de
oportunistas por reivindicar mínimo
maior. Presente ao Fórum Social
Mundial, em Dacar, no Senegal,
ex-presidente ataca "colegas" por
pressionarem Dilma por reajuste
acima dos R$ 545
Andrei Netto, de O Estado de S.Paulo
DACAR - Depois de 37 dias de
silêncio sobre questões
governamentais, o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva quebrou o
silêncio nesta segunda-feira, 7, em
Dacar, no Senegal, para chamar os
"colegas sindicalistas" de
"oportunistas" por estarem
pleiteando um salário mínimo
superior aos R$ 545 oferecidos pelo
governo. O ex-presidente cobrou
ainda que os sindicatos mantenham a
palavra empenhada no acordo firmado
na sua gestão, que prevê o reajuste
do mínimo a partir da soma do índice
de inflação anual e da variação do
crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) nos dois anos anteriores.
As críticas foram feitas pouco antes
de seu discurso como convidado do
11o Fórum Social Mundial (FSM), em
Dacar, no Senegal. Até então, Lula
não demonstrava intenção de falar
naquele momento aos jornalistas, mas
ao ser questionado sobre o salário
mínimo, na saída do hotel Terrou-Bi,
entre um encontro com o presidente
do Senegal, Abdoulaye Wade, e sua
participação no fórum, o
ex-presidente parou e demonstrou sua
insatisfação com os rumos da
controvérsia.
Demonstrando contrariedade com a
reivindicação dos sindicalistas,
Lula lembrou da participação dos
sindicatos na discussão do acordo
com o Ministério da Previdência que
resultou na atual política de
reajustes. "Isso foi um acordo feito
com os dirigentes sindicais quando o
(Luiz) Marinho era o ministro da
Previdência. Foi combinado que o
reajuste seria feito com base no PIB
e na inflação até 2023 para que a
gente pudesse recuperar
definitivamente o salário mínimo",
lembrou o ex-presidente.
A seguir, Lula disparou: "O que não
pode é nossos colegas sindicalistas
quererem a cada momento mudar as
regras do jogo. Ou você tem uma
regra, aprova na Câmara e vira lei e
todo mundo fica tranquilo, ou você
fica como o oportunista". Então,
ironizou as reivindicações dos
sindicatos, que pediram ao governo a
antecipação para este ano do
reajuste previsto para 2012. "Quando
a inflação é maior você quer
antecipar, quando o PIB é menor,
você quer antecipa", reclamou, antes
de exemplificar: "Se é verdade que
nesse ano o PIB mais a inflação ia
dar zero, no outro ia dar 8%. Então
tem a compensação".
Demonstrando interesse pelo tema,
Lula ressaltou mais de uma vez que a
norma de reajuste do mínimo não foi
estabelecida pelo seu governo, mais
em conjunto com os movimentos
trabalhistas. "Eu penso que seria
prudente (sic) que os nossos
companheiros sindicalistas soubesses
que a proposta não é do governo",
argumentou. "A proposta é uma
combinação entre todos nós. Eu
espero que eles façam acordo."
Apesar do opinar sobre o tema, Lula
disse que não aceitaria mediar um
acordo entre o governo de Dilma
Rousseff e os sindicatos. "Não,
porque não é tarefa minha conversar.
É da Dilma e do Congresso",
ponderou. "O Congresso está lá para
tomar conta dessa história."
Questionado se não se sentia à
vontade na eventual função de
negociador, o ex-presidente disse
que não haveria problemas. Mas
insistiu não ser necessário. "Me
sinto à vontade, porque sou amigo
dos dirigentes sindicalistas, somos
companheiros", disse. "Mas eles
estão conversando com o governo e
com o ministro Gilberto Carvalho
(secretário-geral da presidência,
que também está no Senegal liderando
a comitiva brasileira no fórum) e
acho que vão entrar em um acordo."
Andrea Jubé Vianna - O Estado de
S.Paulo
O governo não conseguiu garantir,
até agora, nem o apoio de deputados
do PT ao valor de R$ 545 do salário
mínimo. A divergência entre os
petistas ficou evidente em seminário
realizado ontem pela liderança da
bancada para traçar as diretrizes de
atuação na Câmara nos próximos
quatro anos.
O líder do governo na Casa, Candido
Vaccarezza (PT-SP), fez um apelo
para que a bancada votasse, por
unanimidade, a favor do mínimo
defendido pelo Planalto. O ministro
das Relações Institucionais, Luiz
Sérgio, afirmou que o governo
defenderá a manutenção da atual
política de reajuste do mínimo, que
considera o PIB de dois anos atrás,
mais a inflação do ano anterior.
O deputado Vicentinho (PT-SP) foi um
dos que se opuseram explicitamente
ao mínimo de R$ 545. Ricardo
Berzoini (SP) admitiu que muitos
aguardam o desdobramento das
negociações antes de confirmar o
voto. "A bancada está que nem
mineirinho, esperando para ver se
vai chover, e se chover, se vai
molhar a horta."
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