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Eleger parlamentares - deputados
federais e estaduais e senadores -
para mediar os conflitos,
intermediar as demandas e criar
condições para saídas negociadas
para os impasses, sob pena de voltar
no tempo e sem a interlocução que o
movimento sindical sempre teve nos
governos Lula
O próximo presidente da República,
independentemente de quem seja,
dificilmente terá a mesma afinidade
de Lula com o movimento sindical,
fato que irá exigir forte
representação dos trabalhadores no
Parlamento para fazer a mediação
entre as autoridades públicas e a
classe trabalhadora e entre esta e
os empresários, nos momentos de
conflitos.
A relação de proximidade do
presidente com os movimentos
sociais, em geral, e com o sindical,
em particular, trouxe enormes
benefícios para os trabalhadores.
Além das conquistas, houve maior
parcimônia do setor empresarial que,
temeroso de ser chamado à atenção
pelo Chefe do Poder Executivo,
evitou maiores perseguições e
demissões por razões
político-ideológicas. Poucos
quiseram correr o risco de
repreensão, como ocorreu com a Vale
que levou uma bronca do Presidente
por demitir trabalhadores durante a
crise.
O presidente Lula mudou o paradigma
na relação entre o Governo e o
movimento sindical, substituindo uma
prática autoritária por um sistema
de diálogo, com a inauguração de
espaços de debate e negociação,
tanto no âmbito das relações de
trabalho do setor privado quanto do
setor público.
Colocou em prática, antes mesmo da
legalização das centrais, a
governança participativa, com a
garantia de presença da
representação dos trabalhadores em
todos os espaços em que temas de
interesse fossem objeto de discussão
ou deliberação.
Nos próximos anos, mesmo que seja
eleita a candidata do presidente
Lula, não há garantia de fácil
acesso ao poder, como existe no
Governo Lula, nem tampouco a certeza
de respeito empresarial e dos outros
níveis de governo - estados e
municípios - aos pleitos da classe
trabalhadora.
Por isso, é fundamental que elejamos
parlamentares - deputados federais e
estaduais e senadores - para mediar
conflitos, intermediar demandas e
criar condições para as saídas
negociadas para os impasses, sob
pena de voltarmos no tempo e sem a
interlocução que o movimento
sindical sempre teve nos governos
Lula.
A atual bancada, apesar de pequena,
reagiu às investidas do
neoliberalismo no Congresso, como a
aprovação da Emenda 3, vetada pelo
presidente da República, e pró-ativa
na luta pelo aumento real do salário
mínimo, no arquivamento do projeto
de flexibilização da CLT, na defesa
de aumentos reais do salário mínimo
e dos aposentados, na atualização da
tabela do imposto de renda, no apoio
ao reajuste dos servidores e na luta
pela eliminação do fator
previdenciário. Mas teve seu
trabalho facilitado na relação com o
Governo Federal e foi pouco
demandada na mediação de conflitos
com o setor privado.
Uma bancada do tamanho da atual,
ainda que com a mesma combatividade,
não dará conta dos desafios de uma
conjuntura diferente da vivenciada
no segundo mandato do presidente
Lula. No cenário de hoje, há
afinidade entre o Governo Central e
o movimento sindical. Para
completar, os empresários se sentem
constrangidos em agredir um segmento
defendido por um presidente da
República popular. Qual é a garantia
que esse quadro irá se repetir?
Esse será o desafio do movimento
sindical nas eleições de 2010.
Renovar o mandato dos atuais e
eleger novos aliados dos
trabalhadores, preferencialmente
candidatos comprometidos com a
classe trabalhadora e com
experiência sindical, seja para dar
sustentação a um governo democrático
e popular, seja para enfrentar
conjunturas adversas.
Fonte: Diap.
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