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Brasília - O projeto de lei de
autoria do senador Lindberg Farias
(PT-RJ) que concede anistia aos mais
400 bombeiros do Rio que foram
presos depois de invadirem o
Quartel-central foi aprovado, por
unanimidade, pela Comissão de
Constituição e Justiça do Senado.
Com parecer favorável do relator,
senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), o
projeto de lei segue, agora, direto
para a Câmara dos Deputados, sem
necessidade de passar pelo plenário
do Senado.

Crise dos bombeiros começou no
início de junho | Foto: Severino
Silva / Agência O Dia
Crivella ressaltou que a anistia
proposta aos bombeiros do Rio não é
diferente da que anistiou policiais
e bombeiros militares do Rio Grande
do Norte, Bahia, Roraima, Tocantins,
Pernambuco, Mato Grosso, Ceará,
Santa Catarina e Distrito Federal,
também punidos por participarem de
protestos semelhantes.
Entenda o caso
No último dia 3 de junho, bombeiros
manifestantes invadiram o quartel do
Comando-Geral, na Praça da
República, Centro. Em seguida,
penduraram faixas de protesto nos
veículos de combate a incêndio,
impedindo os que estavam de serviço
de sair para trabalhar. Horas depois
todo o grupo foi preso e levado para
o quartel da corporação de Charitas,
em Niterói. No dia 10, no entanto, a
Justiça mandou soltar os bombeiros
presos após dezenas de protestos na
cidade e forte pressão da sociedade.
Desde então os manifestantes
aguardam a anistia para retomar
negociações salariais.
Todos os militares já foram ouvidos
na Auditoria da Justiça Militar.
Eles respondem à ação penal militar
pelos crimes de motim, dano em
material ou aparelhamento de guerra,
dano em aparelhos e instalações de
aviação e navais, e em
estabelecimentos militares.
Interrogatórios marcados
As datas dos interrogatórios também
já estão definidas. Os 14 bombeiros
apontados como líderes do motim
serão ouvidos no dia 8 de julho,
pelo Conselho Especial de Justiça,
que, no caso, será composto por um
coronel e três tenentes-coronéis do
Corpo de Bombeiros, e presidido pela
juíza Ana Paula Monte Figueiredo
Pena Barros. O Conselho Especial
possui tal formação porque, neste
caso, um dos réus ostenta a patente
de major, e somente pode ser
processado e julgado por oficiais de
patente superior.
Já os 415 bombeiros foram divididos
em grupos e serão interrogados entre
os dias 5 e 18 de agosto, sempre a
partir das 10h. Os depoimentos
ocorrerão perante o Conselho
Permanente de Justiça do Corpo de
Bombeiros, composto por um major e
três capitães.
A denúncia do Ministério Público
apresenta uma relação de 14 veículos
operacionais danificados pelos
manifestantes. Também teriam sido
inutilizados os portões de entrada
do Quartel-Central e os portões de
acesso ao Cassino de cabos e
soldados, as instalações da
Diretoria Geral de Finanças, da
Superintendência Administrativa, da
Subsecretaria de Defesa Civil, da
Secretaria de Estado de Saúde e
Defesa, do refeitório de oficiais,
refeitório de praças, cozinha,
padaria, depósito de lacticínios e
frutas, ambulatório de nutrição e
porta de acesso à Rua do Senado.
A situação vinha se tornando tensa
desde maio, quando uma greve de
guarda-vidas, que durou 17 dias,
levou cinco militares à prisão. A
paralisação acabou sendo encerrada
por determinação da Justiça. Os
bombeiros alegavam não ter recebido
contraproposta do Estado sobre a
reivindicação de aumento do piso
mínimo para R$ 2 mil. Os
profissionais fluminenses recebem
cerca de R$ 950 por mês.
Fonte:
Jornal O Dia on line
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