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Entidades e parlamentares defendem
aprovação do Estatuto do Motorista

Jornada diária de seis horas,
aposentadoria após 25 anos de
trabalho, sem exigência de idade, e
melhoria da infraestrutura da malha
viária do País. Esses são os
principais pontos do Projeto de Lei
271/08, que cria o Estatuto do
Motorista, do senador Paulo Paim
(PT-RS), que apresentou a proposta
em debate público realizado no
Plenário da Assembleia Legislativa
de Minas Gerais, na manhã desta
sexta-feira (19/8/11).
O debate "O Estatuto do Motorista e
o Transporte Terrestre em Minas e no
Brasil" foi solicitado pelos
deputados Celinho do Sinttrocel
(PCdoB) e Luiz Carlos Miranda (PDT)
e realizado em conjunto pelas
comissões de Direitos Humanos, de
Transportes e Obras Públicas e do
Trabalho, da Previdência e da Ação
Social da ALMG.

De acordo com o senador Paulo Paim,
o trabalho do motorista é "penoso,
insalubre e periculoso" e, por isso,
o projeto tem o objetivo de garantir
os direitos desse profissional. O
projeto de lei conta com 14 artigos,
que enumeram direitos e deveres dos
motoristas profissionais, como não
responder, junto ao empregador, por
qualquer prejuízo patrimonial
decorrente da ação criminosa de
terceiros; respeitar a legislação de
trânsito; e zelar pela segurança do
passageiro.
A proposição define motoristas
profissionais como trabalhadores que
conduzem veículo automotor, de forma
remunerada, tanto como autônomo ou
mediante vínculo empregatício.
Além de tratar de aposentadoria e
jornada diária, a matéria dispõe
sobre o pagamento de horas extras,
que deverá ser feito com acréscimo
de, no mínimo, 100% sobre o
salário-hora normal. O horário de
trabalho noturno será considerado o
que ocorrer entre 20 horas de um dia
e 6 horas do dia seguinte. Além
disso, no horário noturno, cada 45
minutos trabalhados serão
considerados como uma hora, que será
remunerada com acréscimo de 50%,
pelo menos.
Paulo Paim também defendeu a
melhoria da infraestrutura de
transportes no País e mencionou que
Minas Gerais conta com 9% de
estradas com boa qualidade. "Se o
transporte parar, para o País",
resumiu. O senador antecipou que o
projeto não deve ser votado pelo
Congresso neste ano, mas que as
discussões nos Estados devem
continuar para que o documento
atenda aos interesses de todos.

Deputados defendem o Estatuto
Celinho do Sinttrocel citou que os
profissionais do setor rodoviário
enfrentam condições precárias de
trabalho, como excesso de jornada,
violência e péssimas condições das
rodovias. "O setor que transporta o
futuro não pode conviver com
condições de trabalho do passado",
afirmou. Ele defendeu a aprovação do
Estatuto do Motorista e disse que
essa é uma reivindicação dos
trabalhadores, mas também um dever
dos parlamentares federais e da
sociedade.
O deputado Anselmo José Domingos
(PTC) parabenizou Celinho do
Sinttrocel pela iniciativa e lembrou
que o Brasil, desde os anos 1950, é
um País essencialmente rodoviário em
sua concepção de transporte. Por
isso, considera que o tratamento
diferenciado aos trabalhadores do
setor deveria existir desde aquela
época, o que não foi feito.
Para o presidente da Comissão de
Direitos Humanos, deputado Durval
Ângelo (PT), que dirigiu os
trabalhos, o tema do debate público
envolve direitos específicos dos
trabalhadores que são pertinentes às
três comissões temáticas da
Assembleia que promoveram a reunião.
Ele ressaltou que esta é a primeira
vez na história da ALMG que as três
comissões participam da mesma
reunião.
Também presente à reunião, a
deputada federal Jô Moraes
(PCdoB-MG) comentou que a audiência
tem o objetivo de colher sugestões
dos rodoviários de todo o Brasil
para aperfeiçoar o PL 271/08. Várias
reuniões semelhantes já foram
realizadas pelo País e outras estão
agendadas. As questões centrais do
projeto, segundo ela, passam pelas
condições mais dignas de trabalho. A
deputada considera inadmissível, por
exemplo, um motorista exercer as
funções de fiscal e cobrador no
transporte coletivo. Defendeu também
a aposentadoria dos motoristas aos
25 anos de trabalho e melhor
qualificação profissional.
Especialistas listam principais
problemas da categoria
Ao ressaltar a importância do
transporte rodoviário para o País, o
secretário-executivo do Movimento
Pró-Estatuto do Motorista, Luiz
Alberto Micarone, lembrou que
"nenhum artigo chega às nossas casas
sem ter passado por uma rodovia". As
más condições das estradas, o
estresse que ataca os motoristas
urbanos e o excesso de jornada para
os autônomos foram alguns dos pontos
levantados por ele para defender a
aprovação do PL 271/08. "O Estatuto
traz normas claras, que vão evitar
conflitos trabalhistas e aumentar a
segurança jurídica para
profissionais e empresas", garantiu.
A "humanização" do transporte
rodoviário vai também provocar uma
drástica redução nos acidentes de
trânsito, disse ele.
Já o representante da Confederação
Nacional dos Trabalhadores do
Transporte Terrestre, Luiz Antônio
Festino, apresentou dados numéricos
sobre o setor no Brasil. De acordo
com ele, o País conta atualmente com
uma frota de 66,5 milhões de
veículos, sendo 67% desse total
compostos por automóveis, 26% motos,
6% caminhões e 1% ônibus. O
transporte rodoviário é responsável
pelo trânsito de 50 milhões de
pessoas por dia. O setor de carga
gera 5 milhões de empregos diretos e
indiretos, sendo que para o segmento
de transporte de passageiros o
número é de 50 mil.
Festino disse que 40% dos motoristas
profissionais brasileiros têm
problemas na coluna. Ele citou ainda
que as jornadas de trabalho sem
interrupções, a irregularidade de
horários para as refeições, a falta
de condições sanitárias adequadas ao
longo das rodovias, o sedentarismo e
a automedicação são fatores
agravantes para a saúde dos
motoristas.
Consultor defende modificação na
CLT e criação de jornada de trabalho
A modificação da Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT) com a criação
de uma jornada de trabalho para os
rodoviários de 8 horas diárias e 44
semanais, prevendo 11 horas de
repouso diário, foi defendida pelo
consultor da Confederação Nacional
do Transporte, Marcos Aurélio
Ribeiro. Segundo ele, a jornada de
trabalho prevista na CLT é aplicada
para quase todas as categorias, com
exceção dos rodoviários e outros.
Para ele, é fundamental a alteração
para colocar em prática uma carga de
trabalho para os rodoviários.
Marcos Aurélio Ribeiro afirmou que
estudou as regulamentações
existentes em outros locais com
Europa, Estados Unidos e Chile e
também pesquisas feitas no Brasil.
Outros pontos presentes no seu
estudo estão o pagamento de
hora-extra e a criação de regras
limitando a quantidade de
horas-extras possíveis, a criação de
uma carga horária diferenciada para
as viagens de longa distância, entre
outras.

Ele lembrou também da situação dos
motoristas autônomos, que não são
atingidos por regras previstas na
CLT. Dessa forma, ele propõe a
criação de regras sobre o tempo de
direção para abranger os motoristas
autônomos. Entre as regras
sugeridas, está a proibição de
direção por mais de 4 horas
seguidas, devendo realizar um
descanso de 30 minutos; a
instituição de um intervalo mínimo
de 10 horas de descanso, dentro do
período de 24 horas; entre outros.
Marcos Aurélio Ribeiro também
defendeu a obrigatoriedade de
construção de pontos de parada, com
a previsão de que sejam feitos
através de parceiras públicos
privadas.
Urgência - O representante da
Federação dos Trabalhadores em
Transportes Rodoviários em Minas
Gerais (Fettrominas), Antônio da
Costa Miranda, lembrou que a
regulamentação da profissão do
motorista deve envolver toda a
sociedade. Para ele, a condição do
trabalho do rodoviário ainda é muito
precária e é urgente a
regulamentação da profissão.
O presidente do Conselho Diretor da
Associação Nacional das Empresas de
Transportes Urbanos, Eurico Divon
Galhardi, afirmou que existe um
consenso entre as várias categorias
envolvidas sobre a necessidade de
aprovação do estatuto do motorista.
O presidente da União Nacional dos
Caminhoneiros (Unicam), José Araújo
"China" da Silva, também destacou a
união das diferentes categorias
envolvidas para a aprovação do
estatuto.
O vice-presidente da Secção de
Cargas da Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Transporte
Terrestre, Pedro Lopes, afirmou que
o setor de transporte é central hoje
no Brasil, sendo fundamental que o
governo tome medidas para resolver a
situação das rodovias.
Profissionais pedem adequações
das condições de trabalho
Na fase de debates, representantes
de entidades do setor ressaltaram
que o projeto deve contribuir para
que as jornadas de trabalho, a
remuneração e a segurança sejam
adequadas. Houve relatos de casos de
profissionais que têm usado cocaína
para se manterem acordados. Além da
droga, os motoristas, principalmente
caminhoneiros, utilizam o chamado
"rebite", derivado da anfetamina,
que estimula o sistema nervoso
central e permite que o usuário
prolongue as horas em atividade.
Os representantes também pediram que
os direitos dos motoristas sejam
resguardados. Muitos deles são
xingados e não há punições para
exageros por parte de passageiros.
Além disso, foram citados casos de
acidentes em que motoristas de
ônibus foram responsabilizados pelas
empresas, que não ofereceriam apoio
aos profissionais.
Providências - Os deputados
Celinho do Sinttrocel e Durval
Ângelo apresentaram requerimentos
que ainda serão votados. Celinho
solicita ao governador que conceda o
título de Cidadão Honorário de Minas
Gerais ao senador Paulo Paim. Também
será pedido que o parlamentar receba
a Medalha do Mérito Legislativo, no
grau ouro.
Durval Ângelo vai solicitar o envio
das notas taquigráficas do debate
aos 53 deputados federais e três
senadores de Minas Gerais, para
solicitar apoio ao projeto que cria
o Estatuto do Motorista e verificar
a possibilidade de ser votado ainda
em 2011. Esses parlamentares serão
convidados para o debate sobre o
Estatuto em Uberlândia, em 30 de
setembro.
Além disso, Durval sugeriu que seja
enviado pedido aos congressistas
para que derrubem o veto da
presidente Dilma Rousseff em relação
à emenda que previa, na lei
orçamentária, a concessão de aumento
real para os aposentados.
Presenças - Deputados Durval
Ângelo (PT), Anselmo José Domingos
(PTC) e Celinho do Sinttrocel
(PCdoB). Além das autoridades já
citadas, participou da mesa o
vereador de Belo Horizonte, Carlúcio
Gonçalves (PR).
Responsável pela informação:
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