Votar a agenda pendente no Governo
Lula; eleger um aliado dos
assalariados para sucessão
presidencial; e também uma grande
bancada de deputados e senadores
compromissada com a classe
trabalhadora
O movimento sindical terá três
grandes desafios em 2010, que irão
exigir unidade política e de ação.
O primeiro será votar a agenda
pendente no Governo Lula. O segundo
está relacionado à eleição de um
aliado dos assalariados para a
sucessão presidencial. O terceiro
será eleger uma grande bancada de
deputados e senadores compromissada
com a classe trabalhadora.
O primeiro desafio, que também é o
mais urgente, consistirá em criar as
condições para a votação conclusiva
de cinco pontos da agenda sindical
até julho, período útil de atuação
do Congresso neste ano eleitoral,
para que sejam transformados em lei
ainda durante o Governo Lula.
Os projetos tratam da regulamentação
da terceirização, que será enviado
ao Congresso entre fevereiro e
março; da estabilidade do dirigente
sindical, já aprovado no Senado e
sob exame da Câmara; da redução da
jornada, que aguarda inclusão em
pauta para votação no plenário da
Câmara; do custeio das entidades
sindicais, mediante a contribuição
assistencial também já aprovado no
Senado e aguardando manifestação da
Câmara; e do fim ou da
flexibilização do fator
previdenciário, em debate na Câmara.
A urgência da votação dessas
matérias se justifica pelo fato que
o futuro presidente - seja ele ou
ela quem for - não terá o mesmo
conhecimento e sensibilidade do
presidente Lula com o movimento
sindical e os trabalhadores.
Além disso, as condições serão
favoráveis, tanto do ponto de vista
político, pela unidade das centrais
e o apoio do Governo, quanto sob a
ótica econômica, já que o País terá
um crescimento superior a 5% este
ano.
O segundo desafio, o mais
estratégico de todos, será apoiar e
contribuir para eleger para a
Presidência da República alguém
identificado com as bandeiras dos
trabalhadores, a partir do
compromisso com uma plataforma comum
do movimento, já que dificilmente
terá alguém oriundo do movimento
sindical com chances de eleição e
com o mesmo nível de comprometimento
do presidente Lula.
Pelo fato de ser a candidata de Lula
e representar a continuidade da
linha programática do Governo, a
ministra Dilma tende a ser o nome
natural, embora o movimento sindical
saiba que num eventual Governo dela
não terá o mesmo nível de
interlocução e prestígio que possui
com o atual presidente da República.
O terceiro desafio, extremamente
importante, é eleger aliados dos
trabalhadores para a Câmara e o
Senado, seja para apoiar as
propostas de um eventual Governo
identificado com a pauta dos
trabalhadores, seja para fazer
oposição quantitativa e qualitativa
a um eventual presidente refratário
à agenda trabalhista e sindical.
A presença de sindicalistas no
Congresso, tanto na Câmara quanto no
Senado, vem diminuindo nas últimas
eleições.
A sorte dos trabalhadores é que
durante os governos Lula,
especialmente nesta última
legislatura, contou com lideranças
comprometidas e de expressão no
exercício do mandato parlamentar,
como o deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT/SP) e o senador Paulo
Paim (PT/RS), para liderar a
resistências às investidas
neoliberais da bancada empresarial.
Os desafios, portanto, são múltiplos
e complexos. Transformá-los em
realidade exigirá muita mobilização
e unidade das lideranças sindicais,
especialmente das centrais
sindicais.
A oportunidade é agora.
A Diretoria
Fonte: Diap.
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