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De acordo com relatório global sobre
jornada de trabalho da Organização
Internacional do Trabalho (OIT),
levantamentos mais recentes (2005)
mostram que referência de 40 horas
semanais vem predominando no mundo
Por Repórter Brasil
Tem prevalecido, ao longo das
últimas décadas, a tendência de
redução legal dos limites da jornada
de trabalho. De acordo com relatório
global sobre o tema apresentado
nesta quinta-feira (25) pela
Organização Internacional do
Trabalho (OIT), levantamento mais
recente (2005) revela que o patamar
de 40 horas semanais vem
predominando no mundo.
Apesar desta tendência, existem
diferenças enormes entre nações e
continentes. A incidência de longas
jornadas (acima de 48 horas
semanais) na Rússia, Noruega e
Holanda é de apenas 3,2%, 5,3% e 7%,
respectivamente.
Na maioria dos países, contudo, a
carga é bem mais pesada. A
porcentagem de empregados que
trabalham mais de 48 horas por
semana em países como Indonésia
(51,2%), Paquistão (44,4%, de acordo
com dados de 2003) e Tailândia
(46,6%, em 2000).
"Isso confirma a visão amplamente
compartilhada de que jornadas de
trabalho longas são comuns",
confirma o relatório intitulado
Duração do trabalho em todo o mundo:
Tendências de jornadas de trabalho,
legislação e políticas numa
perspectiva global comparada,
lançado originalmente em 2007 e
traduzido agora para o Português.
Na América Latina, a jornada semanal
com limite de 48 horas é a mais
adotada. Dados de 2008 relativos ao
Brasil mostram que muita gente ainda
enfrenta rotinas pesadas: mais da
metade da população (52,8%)
trabalhava mais de 44 horas semanais
(referência legal): 33,7% na faixa
entre 44 horas e 48 horas e 19,1%
encaravam jornada superior a 48
horas semanais. Apenas 23,1%
mantinham jornada inferior a 35
horas por semana.
Com base na Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) 2008 do
Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), o trabalho da
OIT detectou, contudo, que a
população ocupada de 16 anos ou mais
de idade no Brasil trabalhou uma
jornada média semanal de 40,8 horas,
confirmando a tendência mundial de
redução gradual da jornada. Em 1996,
a jornada média do brasileiro era de
42,9 horas semanais.
Os empregados do setor privado com
carteira de trabalho assinadas
formavam 33,2% dos ocupadas (31,9
milhões de trabalhadores e
trabalhadoras) em 2008, dos quais
58,6% (18,7 milhões) trabalhavam
mais de 40 horas semanais enquanto
41,4% permaneciam 40 horas ou menos
na labuta.
No mundo todo, trabalhadores do
setor terciário - especialmente no
segmentos de comércio, hotéis e
restaurantes, transporte e
comunicações - enfrentam jornadas
médias mais longas. Para a OIT, isso
se deve à falta de fiscalização no
âmbito do cumprimento da legislação
e ao fato de que a jornada longa é
utilizada para compensar a baixa
produtividade e os baixo salários
(mais horas de trabalho para
aumentar rendimentos).
Dados levantados pela OIT dão conta
ainda, por exemplo, da intensidade
do trabalho em países expecíficos
como a China: 41% dos assalariados
chineses fazem horas extras (média
de 8,6 horas por semana) e menos da
metade (49%) receberam o devido
pagamento por essas horas extras no
batente. Apenas um quarto dos
trabalhadores cumprem jornada de
trabalho de menos de 40 horas por
semana.
Trabalho informal
Em todos os países em
desenvolvimento, o trabalho informal
responde por pelo menos metade da
ocupação. E cerca de 60% dos que
operam na informalidade trabalham
por conta própria. "Enquanto nos
países industrializados uma grande
parte dos trabalhadores por conta
própria trabalha jornadas muito
prolongadas, nos países em
desenvolvimento as jornadas são mais
curtas (menos de 35 horas por
semana)", destaca a publicação.
As jornadas longas de trabalho entre
autônomos de países desenvolvidos
pode ser explicada por dois fatores.
"O primeiro concerne à natureza
voluntária das jornadas longas: como
os autônomos tendem a usufruir de
autonomia sobre quando e de que
forma o trabalho é realizado, a
‘falta de utilidade' associada à
jornada de trabalho pode ser
relativamente menor, fazendo, dessa
forma, que jornadas longas lhes
sejam mais aceitáveis. O segundo diz
respeito à instabilidade de
rendimento entre os autônomos: em
face das grandes flutuações em seus
ganhos, eles se inclinam a trabalhar
mais quando podem, o que tende a
tornar suas jornadas mais longas do
que as dos trabalhadores
assalariados", acrescentam os
autores do livro.
O relatório da OIT é a primeira
análise global comparativa sobre
normas, políticas e horas
habitualmente trabalhadas com
enfoque nos países em
desenvolvimento. O trabalho utilizou
basicamente três fontes: o banco de
dados da entidade sobre normas e
condições de trabalho com cobertura
de mais de 100 países, um
questionário sobre a distribuição de
horas trabalhadas por semana e 15
estudos focados em países
específicos.
A primeira Convenção da OIT foi
sobre as Horas de Trabalho
(Indústria) é de 1919. Desde então,
a entidade emitiu 39 normas
relacionadas ao tempo de trabalho,
entre as quais a da redução da
jornada para 40 horas por semana, a
do descanso semanal-mínimo de 1 dia
(24 horas consecutivas), a das
férias anuais (mínimo de 3 semanas)
e a dos trabalhadores e
trabalhadoras com responsabilidades
familiares.
A jornada de trabalho, enfatiza a
OIT, "é uma dimensão importante na
qualidade de emprego, tendo
repercussões importantes na
segurança e saúde do trabalhador, na
combinação entre a vida pessoal e
familiar e também na organização do
trabalho dentro da empresa".
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